Chile sem glúten

Postado por menusemgluten em 30/mar/2015 - Sem Comentários

 

Chile sem glúten

Já voltei do Chile há alguns dias, mas ainda não tinha conseguido sentar e escrever um post sobre as minhas experiências sem glúten no país.

Quando decidimos viajar para o Chile, comecei a pesquisar sobre opções de restaurantes onde seria seguro comer sem glúten e opções de produtos disponíveis nos lugares onde eu iria. Fiquei admirada ao encontrar pouquíssimas dicas de lugares para ir.

Nas minhas buscas, encontrei a FUNDACIÓN CONVIVIR, Instituição sem fins lucrativos cujo propósito é melhorar a qualidade de vida das pessoas celíacas no Chile. No site da Fundação, existe uma minilista de restaurantes seguros e uma lista de lugares que vendem produtos sem glúten. Em Santiago são apenas 3 restaurantes indicados pela CONVIVIR e uma deles é o PF Chang`s.

Enfim, decidi levar produtos aqui do Brasil, especialmente para o café da manhã e lanches, pois me sinto mais segura. Levei pães (os da Schar e da Berti têm boa duração e alguns não precisam esquentar), biscoitos e alguns snacks.

Dica para a viagem: você pode solicitar à companhia área uma refeição sem glúten. Não são todas as companhias que têm o serviço, mas vale a pena tentar. Eu fui de TAM/ LAN. Entrei em contato com o atendimento ao cliente e solicitei minha refeição sem glúten. Na ida a LAN serviu frutas e pão de queijo. Na volta, a TAM serviu uma salada com frango (esqueci de fotografar).

Lanche sem glúten da LAN

Lanche sem glúten da LAN

Santiago é incrível. A cidade é toda plana, super organizada e limpa. Você não vê lixo e sujeira nas ruas. O povo é muito educado! Lá, os jovens e adolescentes levantam para os mais idosos sentarem no transporte público (o que já não se vê mais em SP).

Ficamos em um bairro super descolado chamado Lastarría. O bairro é uma mistura de Vila Madalena (SP) e Palermo (Bs As), com uma pegada mais artística. Para quem não for ficar lá, recomendo a visita ao bairro aos Domingos, pois tem uma feirinha de antiguidades e fica cheio de gente andando pelas ruas.

No primeiro dia, fomos conhecer o Cerro San Cristóbal. É de lá que se tem uma das melhores vistas da cidade. Para subir, você utiliza um funicular (tipo de elevador nos trilhos). O Cerro fica dentro do Parque Metropolitano, que é a maior área verde da cidade. Como fomos domingo de manhã, estava cheio de gente de bicicleta, fazendo esportes.

Ao descer, andamos alguns quarteirões até o Pátio Bella Vista, tipo de praça de alimentação no bairro Bella Vista. O lugar é cheio de restaurantes e bares, um mais interessante que o outro. Decidimos pelo Le Fournil.

Como o Chile é um grande produtor de Salmão, queria provar o pescado lá (como vocês já devem ter percebido, amo Salmão). Após fazer todas as perguntas sobre a possibilidade do prato ter ou ser contaminado por glúten, pedi um Salmão grelhado com pesto de rúcula e risoto de cogumelos. DELICIOSO. Salmão no ponto exato e o risoto bem saboroso.

Diversas

Achei os garçons pouco treinados sobre o assunto do glúten. Muitos faziam cara de interrogação ou de desdém (como se fosse frescura minha). Mas, a gente já está acostumado com este comportamento, né? Educadamente eu pedia que eles se informassem com o chef sobre toda a preparação da comida.

No dia seguinte fomos conhecer Valparaíso. Adorei o Cerro Alegre e Cerro Concepción, bairros pitorescos da cidade. Para subir até o Cerro Concepción, usamos o funicular Concepción, o mais antigo da cidade (de 1883). Lá no alto, parece uma cidade a parte, as casinhas são todas coloridas e as ruas bem estreitas (lembro Ouro Preto ou Olinda). Por lá também existem vários restaurantes. Almoçamos no Café El Pintor. Pedi uma carne cozida por 7 horas com purê rústico de batatas com cenoura. Estava super saboroso e a garçonete foi bem atenciosa quanto ao meu problema com o glúten.

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No terceiro dia, fomos conhecer as vinícolas da região do Valle do Colchágua. Lá estão algumas das melhores vinícolas do Chile. Apesar de não ser grande fã da uva Carmenére, a região produz vinhos incríveis desta uva. A região de Apalta é uma das grandes produtoras de vinho Carmenére no mundo.

Almoçamos na maravilhosa Viña Montes. O lugar é espetacular e foi lá que comi uma das Merluzas mais saborosas da minha vida. O peixe era alto e super suculento. Diferente daqueles filés finos e sem graça que estamos acostumados aqui no brasil. O peixe foi acompanhado de delicioso risoto de tomate e manjericão (pena que veio muito pouco…rsrs).

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Não fizemos o passeio pela Viña, mas compramos excelente vinhos lá. E o visual… sem palavras!

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Viña Montes

Após o almoço, fomos fazer o tour pela Viña Lapostolle, uma das mais modernas do Chile. Simplesmente INCRÍVEL! Vale muito a pena conhecer! A bodega funciona 100% por gravidade em seis níveis, quatro dos quais se encontram enterrados sob o solo granítico das ladeiras do Vale de Apalta, com a finalidade de oferecer um ambiente natural de baixa temperatura para o envelhecimento dos vinhos.

Imagem: Reprodução

Imagem: Reprodução Viña Lapostolle

Na sequência da viagem, fomos para o sul do Chile, a região dos lagos. Que lugar maravilhoso! A beleza do vulcão Osorno e dos parques é única.

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Vulcão Osorno

Lá tive um pouco mais de dificuldade para comer.
Uma boa surpresa foi encontrar um lojinha chamada Empório Verde, em Puerto Varas, que vendia alguns produtos sem glúten, inclusive, este pão delicioso de uma marca nacional chamada Noglut.

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Lá no Chile não é obrigatória a legenda do glúten nos rótulos. Isso complica bastante a vida, pois mesmo que seja um produto que não tem glúten na composição, você não sabe se existe contaminação cruzada. Melhor não arriscar. Encontrei poucos produtos locais sem glúten, a maioria era importado mesmo. No supermercado comum tinha alguns poucos produtos da Santiveri e alguns produtos Argentinos.

De volta a Santiago, aproveitamos o festival Lolapalooza. Outra experiência ótima.
Além disso, visitamos o Museu de Arte Precolombina e o Cerro Santa Lucía, que não é tão alto como o San Cristóbal, mas é muito mais bonito.

Ah, em Santiago fomos conhecer o famoso restaurante Como Água para Chocolate. Lá comi um delicioso prato de Salmão com Lentilhas (peça sem o enfeite de macarrão). Achei super legal que a chef não utiliza farinha de trigo para engrossar os cremes e molhos, lá só utilizam amido de milho. Pelo menos esta foi a informação do garçom.

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E a sobremesa foi espetacular: Trilogia de chocolate belga com calda de framboesa! Os chocolates utilizados na receita não contém glúten. Recomendo!

Trilogia de chocolate belga com calda de framboesa!

Trilogia de chocolate belga com calda de framboesa!

Aconselho fazer reserva neste restaurante. Dá pra fazer pelo site.

Adorei a viagem e certamente voltarei para conhecer outras partes do Chile, como o deserto do Atacama.

Não é fácil viajar para lugares onde a infraestrutura para celíacos não é tão boa, mas, minha dica é pesquisar bem antes de ir, levar seus produtos para garantir algumas refeições ou pelo menos o café da manhã e não ter vergonha de fazer questionamentos sobre o que vai em cada prato nos restaurantes. Claro, não é 100% seguro, mas seja bem específica, explicando que o que você tem é uma doença e não uma dieta da moda.

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